// Dia 28 de Abril | Sábado
Arena Dragão do Mar
17:00H | | Mesa Sobre Antônio Cândido | Literatura

Antonio Candido de Mello e Souza ou simplesmente Antonio Candido faleceu no ano passado. Em 2018 completaria cem anos. Legou-nos uma obra que abarca crítica e teoria da literatura, sociologia, antropologia, memória, biografias e interpretações do Brasil. Este conjunto de reflexões é alicerçado numa atitude tão simples quanto produtiva, que Candido aprendeu com alguns de seus professores na graduação em sociologia da USP no final dos
anos 1930 e início dos anos 1940: "o essencial é a concentração no texto, e não no que está antes ou depois". O texto a que ele se refere nesse trecho é o texto literário, mas algo semelhante vale também para ensaios, teses, artigos, fotografias, filmes e quadros, enfim, para qualquer tentativa de simbolização feita por seres humanos. Se vamos falar sobre algo que lemos, então é preciso ler escrupulosamente, com carinho e apreço, até que, após
sucessivas análises, algo possa ser dito a respeito do texto lido. Ler e reler incansavelmente é a regra de ouro do analista, diria Candido em determinado momento. Essa ética da arte de ler levou Candido a se pronunciar firmemente contra a censura e a violência. Ele, que ficou moço na ditadura Vargas e envelheceu na ditadura civil-militar; ele, que teve textos e revistas censuradas, amigos e colegas presos, torturados e exilados; ele, que soube enfrentar
com firmeza e inteligência as lutas que lhe coube lutar. No final dos anos 1970, Candido verificou a presença na vida nacional de certas "barragens ideológicas" que impediam de circular discursos a respeito de temas como a violência contra os pobres. Verificava também o quanto a defesa da violência contra os pobres e as massas era revestida fosse com "refinamento estético", fosse com demagogia, fosse com a ideia de que se tratava de fato consumado. Por tudo isso, tentaremos apresentar a obra de Antonio Candido como um todo, mostrando como na trajetória dele a leitura cuidadosa de textos levou a uma compreensão aguda dos principais dilemas brasileiros, dos quais a censura era (e é) um dos principais sintomas.