// Dia 28 de Abril | Sábado
Palco José Avelino
18:50H | | Os Bardos | Música

Os Bardos vêm desde de 2015 produzindo música autoral e independente na Serra da Ibiapaba. Em 2016 conhecem o Estúdio Mangaio Cultural, situado na cidade de Tianguá-CE, onde iniciaram as gravações do seu primeiro disco, intitulado HUMANUM, e por meio do mesmo estúdio tiveram a oportunidade de fazer parte do movimento artístico que viria a se chamar Selo Mangaio. O conjunto é formado por quatro integrantes, Gegê Teófilo (piano e sintetizadores), Paulo Marcelo (Voz e Guitarra), Francisco Gustavo (Voz e Baixo) e Webert-San (Bateria e Percussões).
O primeiro álbum da Banda Os Bardos desponta no cenário atual da música brasileira como um vento fresco. Humanum é uma lufada de ar que desce da Serra da Ibiapaba forte, encorpada e certeira. O disco pode até falar do calor dos sertões e dos personagens que o povoam, mas olha por cima do ombro de gigantes - moradores de um olimpo insuspeito e heterogêneo: Luiz Gonzaga, Frank Zappa, Ednardo -, e o que essa mirada oferece é um passeio por imagens vívidas que apontam sempre para o inescapável tema da humanidade, em toda a sua glória e miséria. Humano, demasiado humano, diz o filósofo. O quarteto prefere ir pelo caminho menos racional, o da poesia, acreditando que acima do chão e abaixo do sol, nada é estranho. E nessas veredas, vai criando em Humanum um repertório de histórias que contam do homem comum e de sua dor encoberta. Seguindo em alguns pontos a tradição trovadoresca (como em A Morte da Bela Maria), Os Bardos costuram sua narrativa com uma linha rústica, quase como quem tece um gibão de vaqueiro, mas sem esquecer que, mesmo a peça mais utilitária precisa de enfeites brilhantes, como as estrelas de prata no chapéu de Corisco e Lampião. No disco, os astros reluzentes sobre o couro cru são os ricos elementos de jazz, música latina e dissonâncias que entremeam letras sustentadas por formas poéticas populares do Nordeste brasileiro. Uma sextilha aqui, uma quadra ali, e a armadura do bravo sertanejo vai se formando entre sons, silêncios, gritos de feira e cantorias de igreja. Armadura que pode ser uniforme de combate ou couraça contra as intempéries sociais de nossos dias. 
Os Bardos não fogem à luta em sua estréia. No álbum, o conteúdo político vem, como numa farsa de Ariano Suassuna, fantasiado de cenário pitoresco e distante de um sertão que não existe mais, idílico e infernal. Mas não se engane, ouvinte de Humanum: os personagens do drama somos eu e você, do mesmo jeito que as criações longínquas daquele outro bardo inglês do século XVI falam mais sobre nós do que fala o barulho incessante e ininteligível das redes sociais de nossos dias; loucura sem método.
Os desvalidos de Ao Capitão Corisco são a banda e nós a entoar canções em formas e ritmos que compõe nossa multifacetada identidade de brasileiros: o xaxado que vira maracatu e que culmina num frevo em Homogenesis (embalando uma letra que cheira à poética de Gilberto Gil); o fuzz no meio da feira de Fábrica Vida; o flerte com o reggae e o jazz em Presságio. Enfim. Humanum é quase barroco em seus detalhes de gravação e produção. É um altar sonoro pagão, fruto do imaginário da banda, sob a batuta de Paulo Sidnei Luz, o cérebro analógico à frente do selo
Mangaio.
Para arrematar a pintura - que bem poderia ser "Os Retirantes" de Portinari - o álbum conta com as articipações primorosas dos artistas locais Mestre Quincas, e sua eloquente rabeca na ode ao Capitão Corisco, e o violonista Hernandes Ninho que empresta um lirismo doído (como tudo que é verdadeiramente belo) a Homogenesis.

Alguém dirá que é loucura lançar música de cores tão regionais em tempos cuja palavra da ordem é o
apagamento das fronteiras culturais. O remédio para o descrente talvez seja lembrar que o regional é, na verdade, o
espelho do universal: aquilo que reflete o vasto mundo na miudeza do cotidiano, da cor local. A propósito da
empreitada da banda tianguaense, concluiria então aquele outro bardo, o inglês: loucura sim, mas tem seu método.

Palco Praça Verde
22:30H | | Francisco, El Hombre | Música

?Somos as fronteiras que cruzei?, diz um dos versos da música intitulada ?Francisco, el Hombre?, que está no EP de estreia La Pachanga (2015), da banda francisco, el hombre. Talvez tal frase seja a que melhor representa o grupo formado pelos irmãos mexicanos Sebastián (bateria e voz) e Mateo Piracés-Ugarte (violão e voz) e pelos brasileiros Juliana Strassacapa (voz), Andrei Kozyreff (guitarra) e Rafael Gomes (baixo). Isso porque o quinteto encontra na estrada (e na vida cotidiana) as suas grandes inspirações, mas não só. Com letras em português e em espanhol, a  banda se tornou uma peça fundamental na conexão latino-americana. Em seus shows, coloca o público de língua portuguesa para cantar em espanhol e as pessoas de idioma latino para entoar as canções em português. Para eles, não há fronteira que não possa ser cruzada. 

O primeiro disco cheio da carreira, SOLTASBRUXA (2016), foi a peça que faltava para pavimentar o terreno para uma trajetória fértil. Desde o lançamento do álbum, no segundo semestre de 2016, foram 120 shows no Brasil e 30 apresentações internacionais, incluindo países como Cuba e México. Se o pé na estrada é garantido, a presença digital do grupo também é poderosa. Por meio de videoclipes superproduzidos, conquistou uma base engajada de fãs para além do mercado chamado indie.

Prova disso é o clipe da faixa ?triste, louca ou má?, que contabiliza mais de 4,5 milhões de views no YouTube da francisco, el hombre (assista aqui). A mesma música foi indicada ao Grammy Latino na categoria Melhor Canção em Língua Portuguesa e ainda virou trilha da novela global Do Outro Lado
do Paraíso.

O aumento no número de seguidores chamou a atenção dos principais festivais da América Latina, a exemplo do Lollapalooza Brasil e do mexicano Vive Latino (a banda está escalada na edição 2018 de ambos). A francisco, el hombre encerrou o ciclo de SOLTASBRUXA com o lançamento do clipe de ?tá com dólar, tá com deus? (assista aqui). Agora, um novo momento se inicia. Contemplado no edital Natural Musical, a banda prepara um novo disco para 2018.

E assim, a ?cada paso firme construye un nuevo andar?.