// Dia 26 de Abril | Quinta-Feira
Porto Dragão
20:00H | Teatro Máquina | Nossos Mortos | Teatro

Em Nossos Mortos, novo trabalho do grupo, o Teatro Máquina (Fortaleza-CE) traz a voz de Antígona articulada às inúmeras histórias dos massacres a movimentos populares, especialmente o Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, em Crato, Ceará. Antígona é uma tragédia sobre uma irmã que deseja enterrar o irmão e sobre o tio dela, agora feito general, que a impede de enterrá-lo. É também sobre como o palco da política está infestado com o cheiro podre dos cadáveres esquecidos. Nesse espetáculo o grupo explora a fala, o canto e a ambiência sonora, a partir das sonoridades fúnebres sertanejas.

 


// Dia 27 de Abril | Sexta-Feira
Palco Praça Verde
22:00H | | Luxo da Aldeia | Música

Tantos carnavais depois, o Bloco Luxo da Aldeia segue com a ideia inicial, ainda em 2006, de mostrar a riqueza e a qualidade da música cearense a partir de frevos, marchas, sambas e maracatus que exaltam as mais diversas vertentes do nosso Carnaval. E é justamente esse o título escolhido para o primeiro CD do grupo, lançado, como não poderia deixar de ser, em fevereiro deste ano. Produzido por Pantico Rocha, Tantos Carnavais Depois traz composições próprias, canções já prestigiadas pelo público e diversas participações especiais A valorização da música local, que, de certa forma, reforça os laços culturais do cearense com o seu local de origem, segue presente tanto nos palcos como no disco de estreia. Clássicos como Carneiro (Ednardo), Noite Azul (Pingo de Fortaleza, Parahyba e Augusto Moita), Coisa Acesa (Moraes Moreira e Fausto Nilo) e Bati na Porta (Lauro Maia e Humberto Teixeira) estão entre as canções presentes nos shows e que também estão no CD.  Bloco do Susto, composição de Ednardo que fala sobre a saudade do carnaval, também não poderia ficar de fora. Essa música representa a grande interação do Luxo da Aldeia com o público, que é convocado para "despencar, despencar", como diz a letra. "Nesse momento, todos se abaixam e, quando voltamos a cantar, acontece aquela explosão de alegria. E o mais bacana é que isso surgiu de forma espontânea e não deixa de ser uma marca dos nossos shows", afirma Mateus Perdigão, compositor, guitarrista e vocalista, que destaca ainda a participação do guitarrista Moacir Bedê na gravação, que imprimiu uma pegada mais jazzística à música.
Músicas próprias e parcerias Tantos Carnavais Depois também conta com 4 faixas compostas pelos integrantes do Luxo da Aldeia, além de parcerias e verdadeiros presentes dados ao Bloco. Serpentina, música que abre o disco, tem um significado especial porque foi a primeira de autoria própria a entrar no repertório do Bloco. Feita em parceria entre Bruno Perdigão e Thales Catunda, músicos do Luxo da Aldeia, com o compositor cearense Marcus Dias, a canção retrata um folião transitando pelos diversos blocos e espaços da cidade. "Serpentina traz a sonoridade do bloco, com forte presença das
guitarras misturadas no frevo", pontua Bruno Perdigão.
Marcus Dias, inclusive, é um dos grandes compositores presentes no disco. Ele assina, por exemplo, as músicas Marcha da Noite e do Dia, Um Sol pra Cada Um (ao lado, mais uma vez, de Bruno Perdigão e Thales Catunda) e Ó, Linda Fortaleza, esta última parceria com Mateus Perdigão, que fala sobre o ressurgimento do Carnaval de Rua em Fortaleza. A letra procura trazer a memória - e a importância - das bandinhas e dos blocos antigos, que tanto honraram nossas ruas e que, ainda hoje, inspiram novas gerações de foliões e brincantes. "Nessa música, contamos com a participação de George Anderson, no violão sete cordas, e Luiz José, com seu cavaquinho seis cordas", reforça Mateus.


// Dia 28 de Abril | Sábado
Palco José Avelino
18:50H | | Os Bardos | Música

Os Bardos vêm desde de 2015 produzindo música autoral e independente na Serra da Ibiapaba. Em 2016 conhecem o Estúdio Mangaio Cultural, situado na cidade de Tianguá-CE, onde iniciaram as gravações do seu primeiro disco, intitulado HUMANUM, e por meio do mesmo estúdio tiveram a oportunidade de fazer parte do movimento artístico que viria a se chamar Selo Mangaio. O conjunto é formado por quatro integrantes, Gegê Teófilo (piano e sintetizadores), Paulo Marcelo (Voz e Guitarra), Francisco Gustavo (Voz e Baixo) e Webert-San (Bateria e Percussões).
O primeiro álbum da Banda Os Bardos desponta no cenário atual da música brasileira como um vento fresco. Humanum é uma lufada de ar que desce da Serra da Ibiapaba forte, encorpada e certeira. O disco pode até falar do calor dos sertões e dos personagens que o povoam, mas olha por cima do ombro de gigantes - moradores de um olimpo insuspeito e heterogêneo: Luiz Gonzaga, Frank Zappa, Ednardo -, e o que essa mirada oferece é um passeio por imagens vívidas que apontam sempre para o inescapável tema da humanidade, em toda a sua glória e miséria. Humano, demasiado humano, diz o filósofo. O quarteto prefere ir pelo caminho menos racional, o da poesia, acreditando que acima do chão e abaixo do sol, nada é estranho. E nessas veredas, vai criando em Humanum um repertório de histórias que contam do homem comum e de sua dor encoberta. Seguindo em alguns pontos a tradição trovadoresca (como em A Morte da Bela Maria), Os Bardos costuram sua narrativa com uma linha rústica, quase como quem tece um gibão de vaqueiro, mas sem esquecer que, mesmo a peça mais utilitária precisa de enfeites brilhantes, como as estrelas de prata no chapéu de Corisco e Lampião. No disco, os astros reluzentes sobre o couro cru são os ricos elementos de jazz, música latina e dissonâncias que entremeam letras sustentadas por formas poéticas populares do Nordeste brasileiro. Uma sextilha aqui, uma quadra ali, e a armadura do bravo sertanejo vai se formando entre sons, silêncios, gritos de feira e cantorias de igreja. Armadura que pode ser uniforme de combate ou couraça contra as intempéries sociais de nossos dias. 
Os Bardos não fogem à luta em sua estréia. No álbum, o conteúdo político vem, como numa farsa de Ariano Suassuna, fantasiado de cenário pitoresco e distante de um sertão que não existe mais, idílico e infernal. Mas não se engane, ouvinte de Humanum: os personagens do drama somos eu e você, do mesmo jeito que as criações longínquas daquele outro bardo inglês do século XVI falam mais sobre nós do que fala o barulho incessante e ininteligível das redes sociais de nossos dias; loucura sem método.
Os desvalidos de Ao Capitão Corisco são a banda e nós a entoar canções em formas e ritmos que compõe nossa multifacetada identidade de brasileiros: o xaxado que vira maracatu e que culmina num frevo em Homogenesis (embalando uma letra que cheira à poética de Gilberto Gil); o fuzz no meio da feira de Fábrica Vida; o flerte com o reggae e o jazz em Presságio. Enfim. Humanum é quase barroco em seus detalhes de gravação e produção. É um altar sonoro pagão, fruto do imaginário da banda, sob a batuta de Paulo Sidnei Luz, o cérebro analógico à frente do selo
Mangaio.
Para arrematar a pintura - que bem poderia ser "Os Retirantes" de Portinari - o álbum conta com as articipações primorosas dos artistas locais Mestre Quincas, e sua eloquente rabeca na ode ao Capitão Corisco, e o violonista Hernandes Ninho que empresta um lirismo doído (como tudo que é verdadeiramente belo) a Homogenesis.

Alguém dirá que é loucura lançar música de cores tão regionais em tempos cuja palavra da ordem é o
apagamento das fronteiras culturais. O remédio para o descrente talvez seja lembrar que o regional é, na verdade, o
espelho do universal: aquilo que reflete o vasto mundo na miudeza do cotidiano, da cor local. A propósito da
empreitada da banda tianguaense, concluiria então aquele outro bardo, o inglês: loucura sim, mas tem seu método.

Teatro Boca Rica
21:00H | | Viração | Teatro

A ideia de índio que permeia o imaginário popular, cinco séculos após a ocupação portuguesa no Brasil, permanece como uma imagem-estereótipo de um ser mítico: um homem nu, bárbaro, não civilizado, uma figura homogeneizante deslocada do contexto de cada povo nativo existente no país. Em verdade, a existência dos povos indígenas brasileiros difere quase que totalmente dessas noções antiquadas.

Mas, afinal, o que é ser índio hoje? Viração é uma proposta cênica que se desenvolve sobre tal questão. 

Dançando justamente nossas noções burras sobre uma identidade indígena, mesmo que na tentativa de reavaliação de nossos preconceitos, brincamos de índio, e na tentativa desta viração deparamo-nos com espelhos que mostram nossos próprios (pré)conceitos sobre o que seria essa figura mítica a quem nos direcionamos. Com e por ironia, ao falar do outro é que, virados do avesso, nos enxergamos.


// Dia 29 de Abril | Domingo
Arena Dragão do Mar
18:00H | | Claviculário - Lançamento do Livro de Anna K Lima | Literatura

O livros Claviculário, primeiro livro solo da Escritora Cearense Anna K Lima, Publicado pela editora Aliás. Aliás. Um selo editorial formado por mulheres - de diferentes origens e saberes - que surgiu no mundo para produzir livros artesanais, zines e novos suportes para as literaturas. Aliás é a reunião de nove mulheres inspiradas e dispostas a criar novos suportes para textos e imagens literárias. Partindo da artesania e da produção de zines, nós
publicamos contos, crônicas, cartas, receitas, poesias e narrativas do cotidiano escritas exclusivamente por mulheres. São elas, as escritoras e as artistas, que nos inspiram, que movem nossos mundos, que desbravam horizontes perto de nossos olhos. Mulheres que encontraram expressões e potências na palavra escrita, sentida e falada. Partindo da artesania e da produção de fanzines, o selo editorial vai publicar contos, crônicas, poesias e
narrativas do cotidiano escritas exclusivamente por mulheres. O selo tem base em Fortaleza, Ceará, mas faz intercâmbio com Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro. Fazem parte do selo editorial a escritora Anna K Lima, a analista de mídias sociais Mariana Amorim, a administradora Ingrid Saraiva, a jornalista Isabel Costa, a ilustradora Jéssica Gabrielle Lima, a designer Dávila Pontes, a fotógrafa Bruna Sombra, a cineasta Taciana Oliveira e a
produtora Taís Bichara. Todas têm formações e áreas de atuação distintas. Com as potencialidades e saberes unidos, as nove mulheres resolveram entrar nessa empreitada. O intuito é produzir livros artesanais - escritos por mulheres cis ou trans - em pequenas tiragens. Diferentes técnicas e materiais serão utilizados para a confecção dos livros: costuras, sobreposição de papéis, aquarelas, colorações à mão, xilogravuras, carimbos. A
proposta do Aliás é agregar produzir livros travestidos em objetos estéticos. Cheias de pulsão, as integrantes estão em fase de conclusão da primeira obra do selo, que terá os detalhes divulgados em breve. A escolhida para a estreia é Nina Rizzi. Tradutora, escritora e poeta, ela já lançou livros e participou de antologias literárias. Agora, Nina, que é natural de São Paulo, embarca nessa aventura literária com outras nove mulheres. Além do trabalho de confecção de objetos literários, o Aliás objetiva realizar encontros, saraus, debates, exibições, conversas e diversas ações em equipamentos públicos e particulares. O selo editorial funcionará não apenas como um publicador, mas, sim, como um centro de pulsão e propulsão de movimentos literários.

Palco Rogaciano Leite Filho
20:30H | | Facada | Música

O Facada toca grindcore. Simples. Rápido, pesado, cru, sem experimentalismos, sem frescura, sem viagens sonoras, sem hypes ou modas, sem alegria, sem cultuar ninguém, sem dar satisfação a ninguém, sem breakdowns, sem vocais limpos, sem falsa amizade nem falso discurso. Sinta-se à vontade para não gostar. Se não gostar faça o favor de não nos visitar ou ouvir nossos sons.
O Facada surgiu em 2003 com James (baixo e voz), Ari (guitarra) e D'angelo (bateria). Com a proposta de fazer um som intenso e furioso, escolheu o grindcore para fazer isso. Em pouco tempo, a banda foi ficando conhecida que seu primeiro show foi em Natal (RN).
Em 2004 lançou sua primeira demo, sendo muito bem recebida pelos críticos musicais e mídia especializada, fazendo muitos shows pelo Norte e Nordeste para divulgá-la. Bahia, Sergipe, Piauí, Rio Grande do Norte, Maranhão, Pará e Paraíba Estados já puderam presenciar a energia da banda ao vivo.
Em 2006, lançam seu primeiro álbum chamado "Indigesto", que é logo seguida de uma turnê de 20 dias pelo Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país (Brasília, Goiânia, São Paulo e Paraná), sendo inclusive a última banda a tocar no Gordo Freak Show (extinto programa da MTV apresentado por João Gordo). Com a ida de Ari pra Alemanha (que não saiu da banda), passaram o ano descansando.
Em 2009 gravaram seu novo trabalho, chamado de "O Joio". O disco que foi lançado em 2010, foi mixado na Suécia e foi lançado por 4 gravadoras. Na turnê do disco viajou por todo o Brasil, participando de importantes Festivais como Feira da Música, DoSol (onde foi gravado um DVD), Abril Pro Rock (Recife/PE), Verdurada(SP), Suiça Bahiana (Vitória da Coquista/BA), Festival Mundo (João Pessoa/PB), Palco do Rock (Salvador/BA) e Até o Tucupi (Manaus/AM).
Em 2013 a banda completa 10 anos e muitas coisas aconteceram para a banda: o lançamento do seu 3o. disco, chamado Nadir em CD (Black Hole Productions) e em Vinil (Laja Records, Nerve Altar e EveryDayHate Records); o relançamento em 7" em vinil da sua demo; o relançamento europeu d'O Joio pelo selo polonês EveryDayHate Records.
No ano de 2014 já tocaram em Manaus, Belém, no Festival Rock Cordel (Fortaleza), Headbanger's Attack e Porão do Rock (Brasília), Rio de Janeiro e no Festival Exhale the Sound em Minas e no Festival Ponto.Ce.
O Facada já tocou com Obituary, Cannibal Corpse, Testament, RDP, Misfists, DFC, ROT, Cólera e muitas outras bandas do cenário nacional e internacional.
Para 2016/2017 o vídeo clip da música Amanhã vai ser pior foi lançado, além de um disco de covers (chamado Nenhum Puto de Atitude lançado pela Laja Records e pelo selo polonês EveryDayHate terá músicas de várias bandas brasileiras e estrageiras, além de um split com a banda grega Stheno, o relançamento do disco Indigesto (Pecúlio Discos) e o próximo Full da banda (chamado Quebrante) pela Black Hole Productions. Neste ano já tocou no Festival Garage Sounds (CE), no Psica Festival (Belém/PA) e no Laja Fest (São Paulo/Espírito Santo). Para o ano de 2018, será o lançamento do novo disco de inéditas chamado Quebrante que já está gravado. O Facada é hoje: James (baixo/vocais), Danyel (guitarras), Dangelo (bateria) e Ari (guitarra/overseas)