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Maior exposição de Chico Albuquerque abre Maloca Dragão 2017
Exposição marca o centenário do cearense Chico Albuquerque, referência da fotografia brasileira e fica aberta à visitação até o dia 2 julho, no Museu de Arte Contemporânea (MAC).

A exposição "O fotógrafo Chico Albuquerque - 100 anos" é um potente reencontro do Ceará com o cearense que é referência na fotografia brasileira. Em exibição até o dia 2 de julho e com mais de 400 imagens, esta é a maior mostra realizada com as produções de Chico ao longo da carreira. A exposição abriu a Maloca Dragão 2017 no Museu de Arte Contemporânea (MAC) no dia em que Seu Chico completaria 100 anos, 25 de abril.

A abertura recebeu a visita do governador Camilo Santana, vice-governadora Izolda Cela, secretário da cultura do Estado, Fabiano dos Santos Piúba, presidente do Instituto Dragão do Mar, Paulo Linhares, reitor da Universidade Federal do Ceará, professor Henry Campos, os curadores Patricia Veloso e Sergio Burgi e a família Albuquerque. O evento foi um encontro de fotógrafos, estudantes, artistas, pessoas por ele fotografadas e interessados nas narrativas das imagens de Chico, marcado por clima de admiração e confraternização pelo legado e ensinamento de um mestre da fotografia.


 
Patrícia Veloso, curadora da exposição e responsável por parte do acervo de Seu Chico, conta que foram acessados mais de 75 mil originais de todo o acervo, que reúne fotografias guardadas por ela, pela família e pelo Instituto Moreira Salles (IMS). "Essa exposição dá ao público uma compreensão de como foi o início de Chico Albuquerque, como ele se profissionalizou", pontua Patrícia, citando o restauro de fotos nunca vistas antes no Ceará. Segundo ela, a vinda da exposição para a capital cearense foi projetada pelo filho de Chico, Ricardo Albuquerque, falecido ano passado.
 
Para Sergio Burgi, coordenador de fotografia do IMS, que reúne outra parte do acervo, "a exposição cumpre o papel de dar ao público a percepção da dimensão do Chico, que constituiu um grande legado para a fotografia brasileira". Para ele, o fotógrafo construiu uma ponte efetiva e única entre tradição e modernidade. "Chico Albuquerque, com sua generosidade e simplicidade, é um mestre da fotografia. Formou gerações", complementa.

Mostra reúne mais de 400 imagens do acervo de fotografias de Chico Albuquerque. Foto: Luiz Alves. 

Mestre de gerações
As características dele ganham voz em depoimentos de uma geração de fotógrafos que acompanhou as mudanças trazidas por Chico após seu retorno de São Paulo. Gentil Barreira, importante nome da fotografia cearense, conta que Chico foi o primeiro a trazer novos equipamentos analógicos na época, além dos digitais, em 1999. "Chico trouxe um grande fluxo para a técnica e a estética dos fotógrafos de Fortaleza, porque veio com toda uma experiência, e todo mundo tinha que correr atrás para acompanhar mercado de fora!", comenta.
 
Entre muitos dos fotógrafos que o consideram um mestre, Celso Oliveira relembra que, com seu Chico, encontrou "a sabedoria com uma certa tranquilidade" ao trabalhar com ele em duas empresas em Fortaleza. "O melhor de tudo é que os ensinamentos do seu Chico não serviam somente para a fotografia, mas para a vida como um todo", reforça Celso.

Público pode acompanhar diversas fases da fotografia de Chico Albuquerque. Foto: Luiz Alves. 
 
A fotógrafa Delfina Rocha, que abriu estúdio em retorno de sua temporada no Rio de Janeiro - como também fez Chico em 1975 - se emociona ao ver as fotografias da exposição e revisitar sua trajetória de trabalho em que Chico foi um mentor. "Porque ele acompanhou meu desabrochamento na fotografia e nos tornamos grandes amigos", conta, ao descrever que se profissionalizou aos 19 anos, quando começou a trabalhar com o fotógrafo. Ela também fala do pioneirismo de Seu Chico ao implementar estúdios e uma expertise à produção de campanhas publicitária no Brasil, que começou pela abertura dos estúdios da editora Abril, em São Paulo. "Além disso, quando saía a campo, Chico chamava a esposa para acompanhá-lo nas sessões externas, para ajudar-lhe na abordagem das modelos mulheres", ri-se Delfina, lembrando que o amigo tinha respeito em tudo que fazia, inclusive por deixar um extenso legado às novas gerações de fotógrafos no Ceará e no Brasil.
 
Obras de Chico Albuquerque em outras linguagens
A primeira noite do festival realizado pelo Governo do Ceará através do Instituto Dragão do Mar teve ainda show e intervenção urbana que dialogavam com a obra de Chico Albuquerque. A performance sonora Quatro homens e uma jangada, de Eric Barbosa, realizou uma reinterpretação audiovisual do filme de mesmo nome de Orson Welles, parte da temática da Maloca e que teve Seu Chico como fotógrafo de cena. Os músicos Eric Barbosa, Guilherme Mendonça, Julio César Santana Pepeu e o artista visual Dimitri Lomonaco convidaram o público a uma viagem épica junto aos jangadeiros.

Performance sonora cria pontes entre o público, imagens de Orson Welles e de Seu Chico. Foto: Luiz Alves. 
 

O artista Rafael Limaverde, curador de Artes Urbanas do festival, realizou intervenção em stencil inspirada nas fotos dos jangadeiros de Chico Albuquerque nos muros do Dragão do Mar, processo que o público acompanhou ao vivo e vai poder conferir no centro cultural.  
 
Exposição "O fotógrafo Chico Albuquerque - 100 anos" fica em cartaz até o dia 2 de julho.
Local: MAC-CE, Dragão do Mar.
Horários: De terça a sexta, das 9h às 19h (acesso até as 18h30) e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (acesso até as 20h30).
Acesso gratuito.