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Praia de Iracema vira galeria da arte urbana durante a Maloca Dragão
Graffittis, lambes, performances e instalações ocupam o Dragão do Mar e espaços da Praia de Iracema durante a Maloca Dragão.

Entre as linguagens artísticas que a Maloca Dragão acolhe em sua diversidade, uma é estreante na chamada pública que compôs a maior parte da programação do festival: arte urbana. O diálogo da cidade com os artistas, seja por meio de graffittis, lambes, intervenções e instalações, vem se fortalecendo nos últimos anos em Fortaleza e foi acolhido pelo maior festival de artes do Ceará. 

Para acompanhar o processo de curadoria das propostas da arte urbana, o convidado foi o artista Rafael Limaverde, com vasta experiência neste caminho de criar com a cidade. Durante os dias da Maloca, 12 artistas apresentam seus projetos no Dragão do Mar e em espaços do entorno do centro cultural, como a rua dos Tabajaras e a Almirante Tamandaré.

"O público vai tropeçar na arte urbana durante a Maloca", projeta Rafael, destacando que o processo de realização de um graffitti, de uma instalação, de um lambe e uma performance vai poder ser acompanhado por quem estiver no festival. Ele opina que, para os artistas, há uma experiência de afeto com a cidade quando ela passa a ser um suporte do processo artístico, um palco, uma galeria a cada esquina.  

Assim, cores, frases, imagens, propostas e provações passarão a fazer parte do caminho de quem passa pela Praia de Iracema, região cultural e boêmia de Fortaleza. Se as performances a serem realizadas são efêmeras, não deixando rastros físicos, as intervenções e graffittis também ficam à mercê dos fluxos urbanos. "Uma vez que você tá no meio da rua, você não sabe até quando vai ficar do jeito que você deixou. Faz parte da cidade, que muda o tempo todo", avalia o curador de Arte Urbana. 

Memória em Construção, de Felipe Camilo, utiliza fotos da paisagem urbana de Fortaleza

Diversidade de intervenções na Praia de Iracema

Segundo Rafael Limaverde, o critério de seleção dos projetos apresentados levou em conta, principalmente, a adequação ao espaço e ao entorno. "Tem muita gente boa na cidade nesse segmento. Acho que nas próximas edições ainda mais gente vai participar", aponta, projetando a amplitude das próximas edições do evento realizado pelo Governo do Ceará através do Instituto Dragão do Mar. 

Entre as performances, Natalia Coehl ocupa o espelho d´água do Dragão do Mar com "Impermanências...", em um processo que envolve corpo, movimento e a relação com o espaço. Já Artur Dória propõe "Espezinhar" em um tatear entre gavetas dispostas no espaços, seus objetos e as questões com eles desenvolvidas. Ainda interagindo com as relações de corpo e espaço urbano, Júnior Mendes apresenta performance na passarela do Dragão. O grupo de teatro Somos Todas Marias apresenta instalação "Quebrando o silêncio do medo" com uma questão essencial de discussão e reflexão: a violência de gênero e raça e o empoderamento feminino. 

Apontando para provocações sobre imagem está Márcio Peixoto, com "Cara de Viado", em que fotos cedidas por homens homossexuais sofrem intervenções relacionadas ao imaginário coletivo. "Memória em construção", de Felipe Camilo, dialoga com a paisagem urbana de Fortaleza, seus prédios em construção e espaços icônicos da cidade em murais de fotos sobrepostas. 

No graffitti, quatro artistas apresentam suas obras ao público que participa da Maloca Dragão. Vindos do interior, o coletivo Canoa em Cores realiza mural em grandes proporções na rua Tabajaras. Gabriel Silva também apresenta graffitti na Maloca. Eden Loro trabalha o graffitti com poesia em uma busca por uma comunicação poética com a cidade e os transeuntes. Zé Victor traz aos espaços do Dragão do Mar uma proposta de graffitti com caligrafia. Já a instalação Flor de Moça, da artista Jox, apresenta uma relação entre pessoas e o mundo natural usando lambe-lambe e tranças coloridas. 

Além dos projetos selecionados por chamamento público, Rafael Limaverde, curador da linguagem na Maloca, também realiza intervenções com stencil dialogando com as fotografias de jangadeiros do fotógrafo cearense Chico Albuquerque, cujo centenário faz parte da temática da Maloca Dragão. 

A participação ainda mais efetiva da Arte Urbana no festival que se consolida como uma vasto panorama da cultura cearense aponta para a oportunidade de maior envolvimento do público - transeuntes no cotidiano - com as obras, os artistas, os processos artísticos e, consequentemente, a cidade. 

Programação de Arte Urbana

Dia 25 de abril
19h | Intervenção Jangadeiros, de Rafael Limaverde | Praça Verde
 

Dia 28 de abril
17h | Felipe Camilo (Lambe) | Memória em Construção | Rua dos Tabajaras
19h | Júnior Mendes (Instalação) | Passarela Dragão
 

Dia 29 de abril
18h | Gabriel Silva (Graffiti) Muro próximo à Praça Verde
19h | Artur Dória (Instalação - Performance) | Espezinhar | Praça Almirante Saldanha 
20h | Dhanny Marinho (Instalação) | Quebrando o Silêncio do Medo | Itinerante 
20h | Eden Loro | Ir Por Onde Flor | Rua dos Tabajaras
22h | Canoa em Cores (Graffiti) | Espaço Biruta


Dia 30 de abril
16h | Marcio Peixoto (Lambe) | Cara de Viado | Muros em frente à Praça Verde 
18h | Zé Victor (Graffiti) | Arena Dragão do Mar 
18h | Jox (Instalação - Lambe) | Flor de Moça | Arena Dragão do Mar 
20h | Natália Coehl (Performance) | Impermanências... | Espelho D'água Dragão