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Primeiro dia das artes cênicas na Maloca Dragão aponta para diversidade do cenário cearense e a condição política da arte
Cinco espetáculos de teatro e dança abriram os trabalhos para as artes cênicas na Maloca Dragão 2017. Programação se avoluma na sexta com mais espetáculos nos diversos espaços do Dragão do Mar e Praia de Iracema.

Os palcos da Maloca Dragão começaram a ser ocupados na noite de quinta! Cinco espetáculos de dança e teatro abriram os trabalhos da programação do festival, que começou na terça-feira, dia 25. O primeiro dia das artes cênicas movimentou o Teatro das Marias, Sesc Iracema, Teatro Dragão do Mar, Escola Porto Iracema e a Arena Dragão do Mar.

O terceiro dia do maior festival de artes do estado, realizado pelo Governo do Ceará através do Instituto Dragão do Mar, avolumou a programação que contou, no primeiro dia, com a abertura da exposição "O fotógrafo Chico Albuquerque - 100 anos" e, no segundo dia, com o início da Mostra Cinema Documental: Fronteiras e Verdades. 

A penumbra do espaço fechado, o movimento do fazer artístico que toma a rua como palco e o transeunte como convidado, a poeira que sobe quando as questões abordadas também falam sobre estados de demolição aponta para a diversidade do cenário das artes cênicas do Ceará e de locais convidados na Maloca Dragão.  

As plateias ficaram lotadas para a exibição de espetáculos já conhecidos do público cearense, como "A Granja", do grupo Nóis de Teatro e "Baldio", do Pavilhão de Magnólia, assim como outros que passaram por processos de pesquisa recentes, como "Restos de Si Cavam Janelas", do grupo Comedores de Abacaxi S/A, participante do Laboratório de Criação da Escola Porto Iracema das Artes. 

A Granja, do grupo Nóis de Teatro. Foto: Lia de Paula.

Do Rio de Janeiro, o "Céu de Basquiat", espetáculo convidado que celebra os 15 anos da Cia Márcio Cunha Dança Contemporânea, envolveu o público no Teatro das Marias abordando de forma intensa a condição humana em um espetáculo social, político e intenso.  

O público pôde começar a sentir o clima dos próximos dias e o "drama" de não possuir o poder da onipresença: com uma vasta e diversa programação em mãos, qual espetáculo escolher para ir? Com as opções ganhando vários outros eventos nas demais linguagens que começam na sexta, dia 28, ter programação e um certo desapego vai ser essencial para curtir o maior festival de artes integradas do Ceará. 

Foto: Luiz Alves. 

Cultura como ato político

A quinta de festival foi aberta pelo espetáculo de dança Travessia, do Studio de Dança Katiana Pena, do bairro Bom Jardim, em Fortaleza. Com a proposta de apresentar um reflexão sobre a vida urbana nas periferias, o grupo apresentou a potência das perdas e das alegrias do encontro cotidiano. O grupo, parte formado no curso dado pela bailarina Katiana Pena no Centro Cultural do Bom Jardim (CCBJ), gerido pelo Instituto Dragão do Mar, recebeu mais que aplausos ao acender das luzes: abraços de amigos, conhecidos e familiares. 

Espetáculo Travessia, do Studio de Dança Katiana Pena. Foto: Beto Skeff.

E, ressaltando o viés político da cultura, Travessia traz nos corpos dançantes dos jovens do grupo a palavra "onze", referência ao número de mortos da chacina do Curió, em novembro de 2015, em Fortaleza. Cartazes relembrando Dandara, travesti morta em fevereiro no Bom Jardim e a vontade coletiva de paz na região também compuseram a possibilidade de falar de várias Fortalezas possíveis por meio das linguagens artísticas. 

Para Katiana Pena, a dança dos jovens de Travessia comunica, emociona, faz com que as pessoas se identifiquem e busca representar os movimentos do bairro vivido. "Tentamos mostrar que a dança da comunidade é uma dança de verdade, uma dança transformadora", comentou, ressaltando a importância de estarem em um festival com a amplitude nacional que é a Maloca Dragão.

Seja "a dança da comunidade", seja a dança alimentada em processos de criação dentro de Escolas como o Porto Iracema das Artes, o mais importante, como comentou, Jéssica Teixeira, do Comedores de Abacaxi S/A é a troca possível entre tantos grupos de Fortaleza, das cidades do interior e de outros estados nos processos de fazer artístico e, principalmente, com o público. 

Um convite para que as artes cênicas ocupem a cidade e sejam acompanhadas por todos no caminho da arte e da cultura como invenção e provocação. Durante a Maloca, opção não vai faltar.

Confira a programação de hoje, acesse: http://migre.me/wwrqM