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Cidadão Instigado e Karol Conka lotam quarto dia da Maloca Dragão
Sexta marca o início dos shows e agita os espaços de todas as tribos. Teatro, dança, circo e arte urbana complementam programação.

A música chegou à Maloca Dragão 2017 na sexta-feira (28) com a energia que um encontro de todas as tribos pode esperar: rap, rock, guitarrada, jazz, eletrônica, pop, experimental, além de  performances, danças, peças teatrais, apresentações circenses.  

No Palco Praça Verde, após show da banda de rock Mad Monkees, o público da Maloca presenciou o lançamento da turnê de 20 anos de carreira da banda cearense Cidadão Instigado. A apresentação exuberante passeou pela trajetória do grupo referência para a cena local fazendo o público relembrar vários momentos dos quatro discos. A noite foi também de cantar a relação com as cidades, escancarada em suas contradições no último trabalho da banda, que leva o nome da capital cearense. Fernando Catatau apresentou no palco uma persona única, dialogou com referências do imaginário da cultura popular como as figuras místicas e guiou um show marcante de celebração à banda e às próprias raízes.

 

 

Cidadão Instigado apresentou show de lançamento da Turnê Comemorativa de 20 anos. Foto: Lia de Paula. 

Para fechar a noite, Karol Conka fez a rua Almirante Tamandaré, que liga o Dragão do Mar ao Poço da Draga, ser tombamento puro. O Palco Draga Dragão foi tomado pela rapper curitibana que fez o público dançar, acompanhar refrões e querer mais, indicando que quando a mamancita canta, a Maloca vibra. O público jovem ocupou toda a rua para acompanhar as músicas que cantam sobre uma forma de ser que rime com a liberdade, que rompa com os estereótipos. Uma marca de empoderamento feminino que Karol vem construindo em suas apresentações e que o público fã reforça.

Karol Conka energizou o público com as músicas sobre empoderamento feminino. Foto: Thiago Nozi.

Espaço de encontro e criação

No Palco Anfiteatro, a plateia não se conteve nas cadeiras e fez qualquer espaço pista de dança para acompanhar o paraense Aldo Sena e os músicos cearenses convidados. A guitarra encantada de Aldo Sena se juntou às expertises de figuras como Daniel Groove e Saulo Duarte em um show inesquecível.

A apresentação de Ossos, do Coletivo Angu (PE) formou uma fila na frente do teatro Dragão do Mar para prestigiar a companhia que completa 14 anos apresentando texto de Marcelino Freire. A professora Marina Sousa comentou que não costuma frequentar teatro, mas o convite para a Maloca fez com que quisesse experimentar e conhecer novas linguagens. Nos planos da noite também estava o espetáculo de dança "Ibirapema, o forró que eu faltei", da Omì Cia de Dança, no Sesc Iracema.

No Cinema do Dragão, a série Vidas na Orla, de Alexandre Fleming, apresentou ao público reflexões sobre o litoral de Fortaleza através de três territórios: Barra do Ceará, Poço da Draga e Beira Mar. Marco ZeroDia de Vo(l)tar e Arte Itinerante são os médias-metragens que compõem a série que estreou na Mostra de Cinema Documental: Fronteiras e Verdades e é fruto de uma parceria entre TVC, Instituto Dragão do Mar e o Laboratório de Estudos da Oralidade da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Nos palcos Rogaciano Leite e José Avelino, o rap marcou território com quatro shows seguidos e um público fiel. Fortal La Máfia, Cassino 12 e Nego Gallo fizeram a Maloca Dragão parar para ouvir o rap criado em Fortaleza e a cidade e os cenários narrados em cada estrofe. Entre os homens, Isabel Gueixa mandou recado em um show em que rap, R&B e soul se misturam para falar de feminismo, diversidade e equidade social.

 

Nego Gallo reuniu artistas do rap no Baile do Gallo, no Palco José Avelino. Foto: Igor Grazianno. 

Se o maior festival de artes do Ceará é o encontro de todas as tribos, a Arena Dragão do Mar é o espaço dessa convivência: Feira Índice, Fuxico no Dragão, Kilofé reúnem artistas e expositores, além de performances e espetáculos de rua. Durante a programação, crianças também tiveram participação, seja nas atividades do Brincando e Pintando, apresentações circenses, contações de história e alguns shows, acompanhadas da família. Na Oca Maloca, cultura popular, circo e música se encontraram em mais um espaço de diálogo entre as diversas linguagens artísticas do festival realizado pelo Governo do Ceará através do Instituto Dragão do Mar.

Com a programação se espalhando pela Praia de Iracema, a sexta de Maloca começou cedo e só terminou na manhã do sábado. O pôr do sol do aterrinho da Praia de Iracema - ou Praia dos Crush - ganhou a energia da Maloca com o som do coletivo Dub Foundation Sound System, que contou com a presença especial e cheia de experiência de Buguinha (PE) e fez da areia local de dança. Região também se tornou galeria de arte urbana com intervenções artísticas.

Antes do meio dia, o público interessado na Maloca Eletrônica, que reúne DJs da cena nacional e internacional no Órbita, já formava fila para garantir os ingressos, que são distribuídos gratuitamente. Após a meia noite, a cena eletrônica de Fortaleza se reuniu para acompanhar, entre outros, os DJs Stereologic, Earthspace e Yagé. No Amici's, os bailantes continuavam a noite com ritmos de diversos locais do mundo. E, do lado de fora, a chuva refrescou quem continuava a sexta já pensando na variedade e energia dos próximos dois dias de Maloca.

Maloca Eletrônica lotou o Órbita Bar com lineup nacional e internacional. Foto: Luiz Alves.