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Quinto dia da Maloca Dragão apresenta novos artistas e celebra carreiras que completam décadas
Público do maior festival de artes do Ceará aproveita vasta programação com dança, teatro, música, circo, literatura, arte urbana, cinema

Um festival de artes com mais de 130 atrações de diversas linguagens artísticas é momento de possibilidades, seja para conhecer novos artistas ou rever performances de quem há muito tempo já está na estrada. Na Maloca Dragão 2017, os dois cenários vêm se mostrando potentes e com público cativo. No quinto dia de programação, apresentações teatrais, de dança e música apresentaram ao público novos sons, comemorações de uma longa carreira e performances que ainda não tinham sido apresentadas em palcos cearenses. 

O show de 30 anos de carreira da banda maranhense Tribo de Jah fez a massa regueira formar longa fila para entrar na Praça Verde, que ficou lotada para acompanhar os músicos tocarem várias "pedras".  O público cantou junto com Fauzi Beydoun e ainda pode ver a participação do filho do vocalista, Pedro no palco. A noite de reggae começou com o projeto Women of Reggae e a banda Missão Miranda, do Crato. 

Praça Verde lotada para uma noite de reggae ao som de Women of Reggae, Missão Miranda e Tribo de Jah. Foto: Luiz Alves.

No palco Draga Dragão, As Bahias e a Cozinha Mineira se apresentaram para um público arrebatado pelo show performático, as potências vocais e a emoção em ocupar os palcos. "Na terra de Dandaras assassinadas, a gente tá para provar que podemos estar em qualquer lugar", desabafaram Assucena Assucena e Raquel Virgínia ao público atento, relembrando a travesti morta em fevereiro, em Fortaleza. Ainda dialogando com o Ceará, a banda emocionou a todos cantando Na hora do almoço, de Belchior, antes de vir a público a notícia da morte daquele que é o eterno rapaz latino americano. Na manhã de domingo, o Brasil recebeu a notícia da morte do cantor. 

As bandas Capitão Eu e os Piratas Vingativos e Projeto Rivera abriram a noite do Palco Draga Dragão, reunindo os fiéis fãs em shows que apresentaram seus últimos trabalhos. E, finalizando a noite no Poço da Draga, a argentina La Yegros promoveu um grande baile reunindo cumbia, pegada eletrônica e a energia da cantora radicada na França que roda o mundo inteiro dialogando com vários ritmos. Para a estudante Fernanda Fontes, a Maloca Dragão tem sido palco de muitas surpresas. "Estou conhecendo artistas que nunca foram apresentados em outros lugares. É muito bom ver um show, se encantar e, depois descobrir ainda mais do estilo musical e da cantora", comentou. 

A banda As Bahias e a Cozinha Mineira encantou o público com show performático e uma música de Belchior. Foto: Beto Skeff. 

No Palco Anfiteatro, as bandas Lilt e Maquinas apresentaram shows com sonoridades marcantes e estéticas inventivas para o público. O rock marcou presença nos palcos Rogaciano Leite e José Avelino com novas e antigas bandas, como Subcelebs, Lavage, Nafandus, Aderiva, Old Books Room e Sundogs. Para fechar a noite, a banda Cólera (SP), referência do punk rock nacional com quase 40 anos de atuação, mobilizou fãs em um momento histórico. 

Maloca reúne dança, cinema, teatro, circo e cultural popular

Espetáculo Praia das Almas, da Paracuru Cia de Dança. Foto: Lia de Paula.

No Dia Internacional da Dança, o público pode se encantar com os espetáculos Auto-matismos e Compilation, além de  Praia das Almas, de Paracuru, que levou a conexão dos corpos com os ventos e areias para contar a história de uma vila. O Sesc Iracema ficou lotado para as duas premiadas apresentações de Eduardo Fukushima (SP). O silêncio atento do público acompanhou os movimentos do bailarino em Entre contenções, enquanto uma fila ainda aguardava para encaixe para assistir Como superar o grande cansaço?

As artes cênicas, como vem sendo desde o terceiro dia da Maloca Dragão, fizeram palco em calçadas e teatros. Na Colônia Penal, A Mancha Roxa e Transitórios levaram uma diversidade de temas, estéticas e origens do fazer artístico ao festival. Nas calçadas, O Imaginário Criador e a Barata Mágica e Devorando Heróis convidaram o público para acompanhar as narrativas que acolhem o movimento das ruas. 

O público ainda pode acompanhar espetáculos de circo e manifestações da cultura popular, como o reisado Paz no Mundo, na Oca Maloca, mesmo espaço em que Naviguer apresentou seu show. E, mais uma vez, a Praia de Iracema acolheu as intervenções da arte urbana, linguagem estreante na chamada pública para compor a programação do festival. Além dos grafites de Eden Loro, Gabriel Silva e Canoa em Cores, as intervenções do coletivo Somos Todas Maria e de Artur Dória provocaram o público da Maloca. 

Gabriel Silva, selecionado na chamada pública de Arte Urbana, realiza intervenção de graffitti na Praia de Iracema. Foto: Luiz Alves. 

No Cinema do Dragão, o filme It's All True, baseado na obra inacabada de Orson Welles, foi exibido, apresentando assim um dos eixos da temática da Maloca Dragão 2017. A exibição foi seguida do seminário Edouard Luntz em Fortaleza e Canoa Quebrada: fragmentos de Operação Tumulto, em que o antropólogo Alexandre Fleming apresentou pesquisa em andamento sobre a vinda do cineasta francês ao Ceará para a realização de um filme que nunca foi lançado. 

Quando o domingo já marcava o relógio, o sábado da Maloca continuava na rua dos Tabajaras. No palco Nublu, no Estoril, o lançamento do álbum Praia Futuro mostrou a potência dos diálogos musicais entre Ilhan Ersahin, Fernando Catatau, Yuri Kalil e André Dengue. Já as Malocas Parties esticaram a madrugada no Pirata e Mambembe com os shows de Borogodó, Juruviara, New Model e Lascaux.  

Palco Nublu recebeu lançamento do álbum Praia Futuro na madrugada do domingo. Foto: Thiago Nozi.