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Maloca Dragão chega ao fim celebrando obra de Belchior
Último dia do maior festival de arte do Ceará é dedicado a homenagens ao cantor e compositor cearense

O último dia da Maloca Dragão foi para Belchior, foi de Belchior. O rapaz latino-americano, que morreu no sábado (29), foi onipresente nos palcos, abraços, conversas, celebrações e lamentos do festival, reverberando a forma como ele e sua obra afetam o Ceará, os cearenses e os que se identificam com a tal pressa de viver. 

O show "Viva Belchior - Tributo dos artistas cearenses ao rapaz latino-americano" adentrou a madrugada no Palco Draga Dragão com mais de 15 artistas dividindo a missão de acolher as memórias do público em relação ao cantor. Artistas cearenses de todas as idades compartilharam um pouco da rica obra do cantor e compositor.

Artistas cearenses de diferentes gerações fizeram show homenagem no último dia da Maloca Dragão. Foto: Lia de Paula. 

Desde os que despontam como a nova geração como Soledad, Lorena Nunes e Lídia Maria passando por Fernando Catatau, Erikson, Nayra Costa,  Daniel Groove, Mona Gadelha, Daniel Peixoto, Humberto Pinho, Ricardo Guilherme, Cristiano Pinho, João do Crato, Marcus Caffé, Chico Pio, Paula Tesser, Lúcio Ricardo e Rodger Rogério. Ícone do teatro do Estado, o ator e dramaturgo Ricardo Guilherme também subiu ao palco. Cantando "Madalena" - música nunca gravada por Belchior que fala sobre os excluídos da sociedade - emocionou o público.

 

Ricardo Guilherme partilhou momentos que teve com Belchior e música nunca gravada. Foto: Lia de Paula. 

Difícil era encontrar no Draga Dragão alguém que não ficasse mexido com o tributo ao homem que durante tanto tempo tocou tantos corações selvagens. Entre lágrimas, abraços de conforto e sorrisos de um bom saudosismo, o público nem ligou para o passar da hora madrugada adentro. Nas mais de duas horas de show, os grandes sucessos de 'Bel' foram cantados e sentidos pela alma. Ao fim, o esvaziar da rua mostrava o alívio, a dor e o prazer de tanta gente que pode celebrar no meio da multidão a obra do poeta cearense.  

Público cantou, celebrou e se emocionou com show "Viva Belchior". Foto: Lia de Paula. 

Cada palco, uma homenagem

A programação do sexto e último dia da Maloca Dragão teve uma narrativa em comum: homenagens a Belchior. E, em cada palco do festival, uma música, uma frase, uma celebração. 

No Palco Draga Dragão, o esperado e poderoso show da banda BaianaSystem transformou o público em um corpo potente que pulava ao som da batida do axé, da guitarra baiana, da percussão e da pegada eletrônica. E, em diversos momentos, o nome daquele que cantou angústias, amores, medos, sede de vida foi lembrado por Russo Passapusso, vocalista do Baiana. Mais cedo, no mesmo palco, Erivan Produtos do Morro começou seu show homenageando "todos os rapazes latino-americanos", aqueles "não desistem dos próprios sonhos". 

No Palco Praça Verde, Luizinho Calixto e a sanfona de oito baixos colocaram o público pra dançar. E, no momento em que "À Palo Seco" ressoou, a emoção acompanhou olhos e vozes. Kátia Cilene,  que apresentou um show repleto de sucessos do forró, também homenageou o poeta cearense convidando Karla Karenina e cantando "Como Nossos Pais". A estética e a filosofia de Belchior também marcaram presença em shows nos Palcos José Avelino, que recebeu Oscar Arruda, Casa de Velho e Camila Marieta, assim como no Rogaciano Leite Filho, com Andersoul, Maria Ó e João do Crato. 

Intervenção "Paginário" também homenageou Belchior entre as páginas preferidas dos livros do público. Foto: Lia de Paula. 

Na Arena Dragão do Mar, a voz inconfundível do poeta atravessou a tarde e a noite, fazendo cantarolar o público que passeava entre livros da Feira Índice e à espera de espetáculos de teatro e dança. Na intervenção literária Paginário, de Leonardo Villa-Forte, a figura do cantor se firmou entre as páginas preferidas dos livros dos participantes, formando mosaico de afetos em uma das paredes do centro cultural. Caminhando com um violão nos ombros, a figura do cantor cearense surgiu em muros pelas mãos do artista Thyagão, parte do projeto "Eu acho que vi Belchior", iniciado em 2016 para comemoração dos 70 anos do autor de Alucinação. 

O maior festival de artes do Ceará se uniu para celebrar em uma grande homenagem aquele que se transformou em um símbolo da identidade cearense.