Conexões Maloca terá mais de 40 players, programadores e jornalistas do mercado nacional e internacional da cultura
Convidados do mercado brasileiro, do Chile e da Europa vão conhecer a arte cearense assistindo aos shows e espetáculos da Maloca 2018 e também por meio de pitchings. O objetivo é fazer circular os artistas em palcos nacionais e internacionais

       

        Mercado de negócios da Maloca Dragão, festival realizado pelo Governo do Ceará, o Conexões Maloca chega ao terceiro ano consecutivo de atuação com o intuito de fazer circular, em outros palcos, a força da arte cearense. Iniciativa única no Estado, o Conexões terá, nesta edição, mais de 40 convidados dispostos a conhecer músicos, bandas e grupos de teatro e dança do Ceará para levá-los país e mundo afora. Durante o festival, estarão aqui players do mercado da música, como Deezer, Altafonte e Oi Futuro; programadores de festivais, como Rock in Rio (RJ), Se Rasgum (PA) e RecBeat (PE); e curadores e diretores de centros culturais, como SESC-SP e Circo Voador (RJ). O Conexões apresentará ainda aos artistas cearenses jornalistas especializados (Cultura Livre, O GLOBO, Vice) e programadores da França, Suíça, de Portugal e do Chile. 


       "Quando convidamos produtores, programadores e jornalistas de fora, o objetivo é mostrar, através da Maloca, a força da arte cearense ao Brasil. Desde a primeira edição cumprimos esse papel", define o diretor de Ação Cultural do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, João Wilson Damasceno. Ele fala que, nos últimos dois anos, os resultados desse intercâmbio com realizadores do mercado nacional têm se intensificado. "O retorno é muito positivo. Vários artistas cearenses circularam em festivais em 2017 e esse número deve aumentar bastante em 2018. Para exemplificar, teve Daniel Groove e Casa de Velho no Psicodália (festival de arte em Santa Catarina) e Cidadão Instigado no Se Rasgum (em Belém) e no Festival Satélite, em Brasília". 

 


Daniel Groove no palco do Psicodália, em 2018


        Outro exemplo é o Projeto Rivera que, ano passado, se apresentou no Se Rasgum e Festival do Sol, em Natal. Guitarrista da banda, Bruno Silveira conta que eles ficaram surpresos quando, assim que finalizaram o show na Maloca 2017, um dos programadores do Se Rasgum já se aproximou deles para convidá-los ao festival, que aconteceu em novembro daquele ano. "É preciso um investimento muito alto de um artista ou banda para conhecer esses caras que contratam. Ter a chance de conhecê-los todos ao mesmo tempo é oportunidade única. Estamos muito animados com a agenda de shows deste ano, porque o Conexões abriu muita negociação pra gente", conta o músico. O Projeto Rivera tocou ainda no Rock in Rio, em 2017.

 

        O diretor de Ação Cultural do Dragão anuncia também que uma parceria foi fechada recentemente com o SESC-SP, que vai receber, todo mês, um show produzido pelo Dragão com artistas cearenses. "A primeira apresentação será realizada já em maio, com Fernando Catatau convidando Soledad e Jonnata Doll", adianta João Wilson. Ele comenta ainda como o Conexões tem impulsionado não só a circulação dos artistas, mas estimulado a profissionalização dos projetos artísticos apresentados. "Acaba sendo um aprendizado grande para os artistas na hora de formatar um material de divulgação, ter um planejamento, vender seu trabalho de forma mais eficiente".

 

 

Como funciona 


         O Conexões Maloca vai ser realizado de 26 a 29 de abril, no Auditório do Centro Dragão do Mar. Segundo Márcio Caetano, coordenador do Conexões e programador da Maloca, os artistas vão se apresentar em sessões (pitchings) aos convidados, nos dias 26 e 27 de abril. "Os programadores, curadores, jornalistas e etc ficam na plateia e o artista tem cinco minutos para se apresentar. Aí, ele utiliza esse tempo como quiser, através de fala ou mídias, vídeos que subsidiem essa apresentação", explica. Nos dois dias, os intervalos dos pitchings também poderão ser utilizados para estabelecer contato. "Além disso, todos os convidados do Conexões, brasileiros e estrangeiros, serão direcionados aos shows desses artistas durante todos os dias do festival". 

 

        Participam dos pitchings todas as bandas e músicos cearenses que vão se apresentar na Maloca Dragão 2018 e ainda os selecionados pelo programa Porto Dragão Sessions, da aceleradora de projetos artísticos Porto Dragão, do Instituto Dragão do Mar (IDM). "Fizemos o cruzamento dessas duas listas de artistas: a de selecionados pelo curador de música da Maloca, o Fernando Catatau, e os trinta selecionados pelo IDM para o Porto Dragão Sessions, em janeiro. Como alguns deles estão nessas duas listas, será um total de 50 bandas, 25 por dia, nos dois pitchings", afirma o coordenador. Além dos pitchings, serão realizadas ainda mesas abertas ao público, também no Auditório do Dragão. Confira a programação:

 

Mesas abertas ao público


Dia 27 | Sexta-feira

14h - A aceleração como novo modelo de negócios na música
Com Veronica Pessoa (Rizoma, aceleradora do Programa Natura Musical)


Dia 28 | Sábado

14h - Como conseguir projeção no cenário das plataformas digitais?
Com Alex Schiavo (Altafonte), Arthur Fitzgibbon (One RPM) e Yasmin Muller (Deezer) 
Mediação: Bruno Silveira (Projeto Rivera)

16h - Os mercados da música na Europa em 2018
Com Fernando Sousa (Casa da Musica Porto - Portugal), Luis Viegas (Ao Sul do Mundo - Portugal), Patrick David (Two Gentlemen - Suíça), Sylvain Briand (Le Silex, Catalpa Festival - França) e Patrick Duval (Le Rocher de Palmer, Festival Musiques Metisses - França)
Mediação: André Bourgeois (Urban Jungle)


Dia 29 | Domingo

15h - Comunicação e Promoção da música na Europa
Com Isadora Dartial (Radio Nova - França), Sebastien Doviane (TSFJazz - França), Luis Viegas (Ao Sul do Mundo - Portugal) e Patrick David (Two Gentlemen - Suíça) 
Mediação: André Bourgeois (Urban Jungle)

17h - Estruturas criadas por artistas para o fortalecimento do setor musical
Noela Salsa e Tomás Muhr (Makinita, Imesur, Frecuencias - Chile)

 

 

 

 

HUB CULTURAL

 

    Em janeiro deste ano, o Instituto Dragão do Mar iniciou uma série de negociações com instituições culturais de países sul-americanos e europeus, articulando um verdadeiro hub cultural, que tem ganho força com os novos fluxos de aviação instalados recentemente no Ceará. Alguns desses intercâmbios já começam a apresentar resultados, com a vinda de realizadores e programadores chilenos e europeus para a Maloca Dragão 2018. Confira os nomes:


Convidados do Chile

Noela Salas  (Makinita, Imesur, Frecuencias) 
Tomás Muhr (Makinita, Imesur, Frecuencias) 
Isabella Monsó (Municipalidad de Valparaiso)
Juan Cristóbal (Matucana 100) 
Alejandra Ibarra (Museo de la Memoria de los Derechos Humanos)

 

Convidados da Europa

Isadora Dartial (Radio Nova - França)
Sebastien Doviane (TSFJazz  - França)
Luis Viegas (Ao Sul do Mundo - Portugal)
Patrick David (Two Gentlemen  - Suíça) 
Fernando Sousa (Casa da Música Porto - Portugal)
Sylvain Briand (Le Silex, Catalpa Festival  - França)
Patrick Duval (Le Rocher de Palmer, Festival Musiques Metisses  - França)
Jeanne de Larrard (consulado francês)

 

 

 


QUER SABER QUEM DO MERCADO CULTURAL BRASILEIRO VEM PRA CÁ?
Confira os nomes
    
Alê Muniz (BR 135 - MA)
Alex Schiavo (Altafonte)
Alexandre Rossi (Circo Voador - RJ)
Ana Morena (Do Sol - RN)
Antonio Gutierrez (Rec Beat - PE)
André Brasileiro (FIG - PE)
Arthur Fitzgibbon (One RPM - SP)
Pena Schmidt (Produtor e consultor)
Roberta Lobo (SESC - SP)
Daniel Ganjaman (Produtor Musical - SP)
Fabiana Batistela (Sim SP/Inker - SP)
Gabriel Murilo (Música Mundo - BH)
Jan Balanco (SESC - SP)
Zé Ricardo  (Rock in Rio)
Luciana Adão (Oi Futuro - RJ)
Luciana Simões (BR135 - MA)
Bina Zanette (Psicodália - SC)
Renée Chalu (Se Rasgum - PA)
Veronica Pessoa (Rizoma - SP/PE)
Yasmin Muller (Deezer)
Alcimar Frazão (SESC - SP)
Roberta Martinelli (Cultura Livre)
Alexandre Matias (Trabalho Sujo e CCSP)
Fabiane Pereira (Faro/Radio Sulamerica e Nova Brasil)
Joëlle-Marie Declercq (Vice)
Marília Feix  (Noize e Rádio Unisinos)
Pedro Henrique França (O GLOBO)

 

 

 

 

CONEXÕES CÊNICAS

 

         A Maloca Dragão 2018 terá, pela primeira vez, uma programação de mercado de negócios inteiramente voltada para as artes cênicas. O intuito é oferecer um espaço de intercâmbio com curadores e programadores culturais com o objetivo de ampliar a visibilidade e estimular a circulação da produção cênica do Ceará. Esta primeira edição contará com representantes do TREMA! Festival (PE), SESC-SP, Festival Porto Alegre Em Cena (RS) e do Festival Internacional Latino Americano de Teatro da Bahia (FILTE BA).     

 


Cia Paracuru em apresentação na Maloca 2017 (foto: Lia de Paula)

 

        No dia 27 de abril, das 15h às 17h, na Escola Porto Iracema das Artes, esses programadores e curadores apresentarão as propostas de seus festivais e espaços culturais, além de conversar com grupos, produtores e artistas presentes. O acesso é aberto ao público. Na ocasião, será lançada ainda a TREMA! Revista - Edição da Censura, revista pernambucana trimestral de arte, política e provocação, cujo olhar do teatro de grupo e a relação com temas contemporâneos funcionam como base de pesquisa e debate.

 

         "O que se deseja com essa aproximação é estimular uma troca e que as pessoas possam conhecer a produção diversificada e plural do Ceará, fazendo fluir parcerias", define um dos articuladores do Conexões Cênicas, Francis Wilker, que também é o curador do teatro no festival. "Nesse processo de curadoria, analisei quase cem projetos no campo do teatro e da performance, além de acompanhar a dança no Estado, e tem me chamado atenção como a cena está aquecida, com uma variedade de traços estéticos e que pode interessar bastante em outros cenários cênicos do País", afirma.

 

        Diretor de teatro e professor do curso de Teatro da Universidade Federal do Ceará, Francis também destaca a vantagem de que muitos grupos cearenses mantém espetáculos por muito tempo em seus repertórios, facilitando a possibilidade de se criar estratégias de circulação a médio e longo prazos. "Como organizar materiais, como entrar em contato com os curadores, como olhar o cenário nacional e pensar projetos pode ser um próximo passo desse movimento. O Dragão do Mar apresenta-se como uma enzima catalisadora dessas conexões".

 

        Para o artista e coordenador do Laboratório de Teatro do Porto Iracema das Artes, Andrei Bessa, o Conexões Cênicas vem para estreitar ainda mais os caminhos geográficos e possibilitar que a produção cearense consiga reverberar e potencializar sua força em outros lugares. "Dialogar com outras praças e outras formas de viver e fazer política é uma ação de afirmação, fortalecimento e criação de potência para o campo cênico do Ceará. Talvez, mais do que um lugar de shows e espetáculos, a Maloca seja esse lugar de construção de uma ponte de diálogo", avalia Andrei.