Maloca de Rua e Ocupa Perifa: cultura de rua se integra definitivamente à Maloca Dragão
De 27 a 29 de abril, coletivos de arte da periferia ocupam Rua Dragão do Mar, Pavilhão Atlântico, Oca Maloca e Largo dos Tremembés

 

        A arte e a cultura não têm um caminho de mão única, em que os consagrados e estabelecidos dizem o que devem ser seguido. Grande parte do que é a real vanguarda vem das ruas e da vontade das pessoas de fazer o diferente, de marcar suas posições frente ao mundo. Na Maloca Dragão 2018 não é diferente. Em todas as quatro edições, o festival contou com espaços e discussões que agregavam a cultura street. Porém, neste, esta ligação se fortaleceu e se oficializou com a Maloca de Rua e o coletivo Ocupa Perifa.


        Entre a Avenida Almirante Jaceguai e a Rua Senador Almino, a Rua Dragão do Mar receberá uma pista de skate e ações que celebram a força das ruas. Competições nas categorias Iniciante, Amador e Feminina vão marcar a pista do entorno do Centro Dragão do Mar. De 27 a 29 de abril, acontecerão apresentações de dança de rua e batalhas de break, com inscrições na hora. 

 

      Durante os dias da Maloca de Rua, a Rua Dragão do Mar permanecerá fechada das 16h às 00h. Ações de arte urbana também serão realizadas no local, preenchendo a tríade dança, grafite e esporte, que regeram os princípios da cultura de rua no início dos anos 1980. 

 

Maloca de Rua

        O Hip Hop é batida da realidade urbana: sua melodia reflete exata no movimento do corpo de quem vive em qualquer grande cidade do mundo. No Ceará não é diferente, principalmente na Região Metropolitana de Fortaleza, que concentra inúmeros grupos de jovens que levam seu tempo e seu esforço na busca de sentir, aprender, desenvolver e demonstrar coreografias que retratem seus anseios e rotinas.

 


Batalhas de break com DJ ao vivo na Maloca Dragão 2017

 

      "Recebemos uma demanda muito grande de representação para a juventude que vive a dança urbana", revela Davi Gomes, presidente do Instituto Iracema, braço da Prefeitura de Fortaleza que trata das questões do bairro Praia de Iracema, incluindo os jovens. Em conjunto com Instituto Iracema, o Governo do Estado do Ceará, através da Maloca Dragão 2018, iniciou-se o trabalho que se firmou como a Maloca de Rua em parceria com representantes da organização de cultura jovem Fórum de Danças Urbanas. "A gente ocupa muito a periferia, é um trabalho que existe há muitos anos. A Maloca é chance de fazer fortalecer, de criar mais, de ser visto", defende Luís Alexandre, representante do Fórum de Danças Urbanas.

 

        Nos dias 27, 28 e 29 de abril, a partir das 20h, haverá treino livre, workshops, além de campeonatos de skate, hip hop e batalha de rimas na rua Dragão do Mar.

 

Ocupa Perifa

        A vontade de mudar o cenário onde vivem e de se divertir no uso do tempo livre levou jovens das periferias de Fortaleza a se tornarem artistas e produtores, criadores de novos espaços e atores do seu desenvolvimento social. Foi mais ou menos assim que nasceu a Ocupa Perifa, projeto que integra a programação da Maloca Dragão 2018 com saraus, shows e performances.

 


Roni Flow em apresentação no Dragão do Mar (foto: Luiz Alves)

 

        "Esse espaço na Maloca é de uma importância imensa", considera Roni Flow, rapper que representa o coletivo. "Aumentou o grau de profissionalismo no meu trabalho, que antes era um hobby, depois que me apresentei no (Centro) Dragão do Mar. Conheci muita gente, fiz contatos e pude ver que esse caminho era possível. Posso viver disso", conclui.

 

        A programação do Ocupa Perifa acontece no dia 27, das 17h30 às 19h30; no dia 28, das 16h às 20h, no Pavilhão Atlântico; e no dia 29, das 16h às 19h, no Largo dos Tremembés. Confira as ações:


Espaço Pavilhão Ocupa Perifa
Contra o extermínio da juventude, a periferia ocupa a Maloca produzindo vida, arte e muita cultura. O espaço visa ocupar três dias de festival com saraus e atividades voltadas à arte periférica. 

Diálogo Cultural em Arte Urbana  
Roda de conversa com Sérgio Rocha sobre o contexto histórico cultural do Poço da Draga, seguido dos diálogos culturais "Juventude e transformação através da arte", com PretaMar Liz e Larissa-Natora, Carolina e Rodrigo Revolução- Ocupacajueiro.

LivePaint no Pavilhão
Tema: "Periferia e Resistência" 

Baile de Favela
"Baile de Favela" é um coletivo formado em 2017 com dançarinos de danças urbanas. Compõem o grupo duas dançarinas (Negrita e Miky Vitorino) e um dançarino (Lucca Lyne). O grupo apresenta vogue, twerk, krump, Bgirling, entre outros estilos de dança. O coletivo conta ainda com o MC Michael Petter. Negro, ativista, palestrante e apresentador de TV, ele usa de todas essas experiências para interagir com o público, fazendo a pista ferver de forma crescente. Completa o time o DJ William, sempre presente nas Cyphers de Breaking do Dragão. O repertório vai do rap, passando pela onda mundial do trap, até as nossas raízes do funk Brasil.

 

Sarau Natorart
Realizado originalmente na praça da Castanhola (Grande Pirambu), o Sarau Natorart tem como objetivo ocupar e marcar encontros voltados para o público e artistas da periferia, com o intuito de promover arte e cultura de forma popular e de resistência. 

Slam da Okupa 
Movimento Okupação é arte e resistência que acontece todo mês no bairro Antonio Bezerra. É formado por amigas e amigos de vários bairros da cidade que se juntam na 'Rua do Amor' para curtir poesia marginal, apresentações culturais e resistência poética num encontro pela arte e liberdade.